Estágios de luto

•28/11/2013 • Deixe um Comentário

Nota prévia: Tenho escrito muito para mim nos últimos meses. Frequentemente a melhor forma que tenho sentido para lidar com certas mudanças que ocorreram na minha vida recentemente é escrever. Estou tentando seguir mais de perto aquela filosofia do Gaiman de “toda vez que algum problema ocorrer transforme isso em arte”. Ainda que a maioria das coisas que saíram dessa fase sejam pessoais demais e nunca serão lidas por outros seres humanos, outros textos até podem ser sim mostrados aos curiosos. Não sei se eu classificaria isso como algo bom, mas sim como uma espécie de exorcismo, tirar algumas dessas palavras de mim me faz de alguma forma me sentir melhor.

Apesar de chamar este texto de Estágios de luto, quero deixar claro que primeiramente ninguém morreu (quer dizer ninguém próximo, ainda que eu tenha sofrido mais do que eu esperava com a morte de Nilton Santos). Meu segundo ponto é, eu estou bem e acredito que tudo vai ficar bem, certamente estou triste e chateado com algumas das mudanças recentes, mas acho que tudo pode ser aproveitado como forma de crescer e mudar. Enfim… Vamos aos texto!

Estágios de luto

É uma sensação muito estranha, às vezes você para tudo e fica imaginando o que está acontecendo na vida dos outros. Se ela sente a sua falta, se está com fome ou está se divertindo… Um cinema? Uma roda de Bar? Existe ainda aquela sensação que você está permanentemente atrelado a um outro, e por mais que a separação não doa mais o tempo todo ela ainda se faz presente na estática sensação de ausência que impera nos momentos de quietude.

As vezes a ausência fica ali, te encarando, como um cisne roxo no meio de uma piscina de concreto. Você tenta ignorá-la, se distrai um pouco, mas todo dia acaba encarando o cisne de novo. De certa forma é meio inominável, não parecem haver palavras para medir esta sensação de perda insólita. Não, não é um cisne roxo é uma mosca que está presa em um cômodo de vidro enquanto você está tentando seguir. Seu computador, seus pensamentos, tudo é distraído pelo zumbido da mosca que tenta fugir, mas invariavelmente falha.

Você percebe que não se sente pronto para voltar ainda ao “normal”, tudo que é seu parece ter uma memória atrelada a perda, o porta retrato na sua mesa de trabalho ainda contém as suas feições, os comentários nas redes sociais ainda estão lá e você percebe o quanto ainda não está pronto. Isso é uma bobagem, ninguém nunca está pronto para esse tipo de coisa, não existe fórmula mágica e todos ficam feito cegos tentando se encontrar nesta situação.

Você pensa que falar com ela seria como voltar para casa, mas teme que fazer isso seria queimar o caminho. Você crê que o tempo cura todas as feridas, mas não tem tempo para continuar se sentindo sozinho.  Você mergulha em trabalho e em diversão, passando todos os dias ocupado para que a sensação de tristeza não o tome mais, você respira e sente o peso do mundo por uma coisa que é composta de ausência.

É inevitável e cíclico, a garganta seca e fecha e você se lembra. Você para tudo e fica imaginando: como estão as coisas na vida dela? Um cisne roxo, uma mosca aflita, uma prisão de ar.

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Manhã de Quarta-feira

•25/04/2012 • Deixe um Comentário

Queria ser um déspota mais lírico,

lembrar sempre que não existem poesias que não sejam destiladas em mentira,

repousadas em barris velhos e brancos como a têmporas dos sábios,

e engarrafadas com um pouquinho de beleza,

presente nesse nascer do sol.

Horário de Trabalho

•25/04/2012 • Deixe um Comentário

São quatro e quarenta da madrugada… Mais um texto pronto, e seguindo para o meu terceiro. Devo acabar lá para as sete horas. No começo do ano não era assim, mas sinto que todo dia acabo indo dormir um pouco mais tarde do que no dia anterior, ciclo que só é reforçado pelo meu horário quase fixo de acordar que me permite, as vezes nos dias bons dormir seis horas. Queria ter a disciplina para fazer essas coisas em outro horário, quer dizer, há poucos meses atrás me comprometi com essa ideia, e descobri que mesmo dormindo cedo, sou quase completamente improdutivo enquanto o sol ainda anda pelo céu. Mesmo quando estou virado e destruído e chegada da madrugada me dá um fôlego completo que não consigo experienciar durante o dia.

Aos poucos acho que eu mesmo e as pessoas a minha volta já entenderam que eu funciono em um relógio um pouco diferente.

Fato que ainda preciso aprender a lidar melhor com o tempo, as vezes acho que só funciono com pautas para o dia seguinte me pressionando.

Sobre ser mulher

•11/04/2012 • Deixe um Comentário

Um dos meus trabalhos mais frequentes é o ghostwriting. Devo dizer que os meus trabalhos nessa área, junto com o Ambrosia, foram os principais meios que me levaram a trabalhar de maneira mais séria como redator. Atualmente, um dos trabalhos regulares que eu faço é escrever um blog (que não posso dizer qual é por motivos óbvios) de uma bem sucedida empresária de quarenta anos. O personagem todo é um pouco ridículo e over the top, mas em geral, é uma das coisas mais engraçadas do meu dia e é onde solto aquele lado “perua ryca” que todo mundo tem.

E se tem uma coisa interessante sobre este papel, é o fato de ser uma mulher. Ainda que eu não seja o Chico Buarque, sempre acreditei que tinha uma boa relação de conhecimento do universo feminino, não só através de mães, irmã e namoradas, mas porque sempre tive amigas muito próximas desde a minha formação.

No entanto, percebo um problema nos meus textos do blog: primeiro eu sou uma mulher que o Felipe odiaria, sabe como é, né? Não sou tão tolerante com peruas rycas. Segundo problema: eu escrevo de forma fútil quando sou ela, e apesar disso fazer parte do personagem, tenho medo de estar de alguma forma contribuindo para a formação deste estereótipo escroto de que as mulheres com dinheiro são inevitavelmente fúteis.  Acho que preciso de uma personagem mais equilibrada que não vá mencionar a sua coleção de laptops a cada dez posts para me sentir melhor, ou pelo menos me sentir mais mulher e menos caricatura enquanto escrevo.

Então o recado está dado: você, mulher interessante, que tem um blog bacana mas está com preguiça de mantê-lo e tem disposição para pagar (de preferência bem) um redator para isso, me contate! Mas lembre-se de pedir posts um pouco mais interessantes.

Sobre ferrugens e teias de aranha

•10/04/2012 • Deixe um Comentário

Já fazem anos que nada aparece por aqui… Nesse ínterim passei a viver como redator, e escrever se tornou oficialmente meu ganha pão. Infelizmente, 70% das vezes tenho que escrever de forma comercial, pouco criativa e até massante. Comecei a temer pela minha capacidade de escrever para mim mesmo, o que sempre foi uma boa terapia. Desta maneira vou tentar (prometo) voltar a escrever por aqui. Acredito que é um ritual importante que nunca deveria ter abandonado.

Atualização dos trabalhos

•16/07/2009 • 1 Comentário

Então, finalmente voltando a aparecer por aqui. Primeiramente estou com uma deadline auto-imposta para terminar o roteiro da hq reflexo até semana que vem.

Espero que a coisa funcione, e tentarei trabalhar nisso até que eu morra de exaustão.

E com terminar eu quero dizer a primeira versão do roteiro completo, que pode ser editado e modificado. O bom de trabalhar em reflexo é o fato de que ele tem um direcionamento relativamente conciso, um conto que serve de fonte, e de certa forma eu já estabeleci o que acontecerá em cada página. O que resta mesmo para terminar são os enquadramentos e os diálogos (já que eu não desenho). O material é muito diferente do conto original, acredito que seja bem melhor, ainda que o final ainda não seja exatamente o que eu quero (estou pensando em escrever mais de um de pedir opiniões, sempre é bom ouvir algo externo a mim).

Quero colocar também os outros projetos de hq em dia, e pelos menos esboçar completamente as duas histórias (pelo menos uma delas já tem isso mais ou menos pronto, aquela que eu postei uma cena por aqui).

Outras coisas que tenho que fazer:

  1. Voltar a escrever pequenas ficções, como as primeiras postadas no blog. É importante para manter a escrita afiada e sempre ajuda a melhorar a habilidade com narrativa, portanto, isso é essencial. Idéias eu tenho, saco e tempo as vezes me falta. Sou muito pouco disciplinado.
  2. Estava querendo pegar minha pseudo crônica para WoD: “O Minguante do Claustro” e fazer dela a base para um rpg indie de terror. Algo curto e que não seria caro de se publicar.
  3. Terminar a monografia, falta ainda o último capítulo.. 😛

Metafísica

•19/06/2009 • 5 comentários

Meu mundo é a Metafísca. É tudo que me interesso.

Para o inferno com o materialismo dialético. Para o inferno com a historiografia tradicional. Para o inferno com Hegel e sua linhagem.

Meu mundo é metafísica e eu não sei o que fazer a respeito disso.

Daqui a quinze dias esse blog vai voltar a funcionar normalmente.