Estágios de luto

Nota prévia: Tenho escrito muito para mim nos últimos meses. Frequentemente a melhor forma que tenho sentido para lidar com certas mudanças que ocorreram na minha vida recentemente é escrever. Estou tentando seguir mais de perto aquela filosofia do Gaiman de “toda vez que algum problema ocorrer transforme isso em arte”. Ainda que a maioria das coisas que saíram dessa fase sejam pessoais demais e nunca serão lidas por outros seres humanos, outros textos até podem ser sim mostrados aos curiosos. Não sei se eu classificaria isso como algo bom, mas sim como uma espécie de exorcismo, tirar algumas dessas palavras de mim me faz de alguma forma me sentir melhor.

Apesar de chamar este texto de Estágios de luto, quero deixar claro que primeiramente ninguém morreu (quer dizer ninguém próximo, ainda que eu tenha sofrido mais do que eu esperava com a morte de Nilton Santos). Meu segundo ponto é, eu estou bem e acredito que tudo vai ficar bem, certamente estou triste e chateado com algumas das mudanças recentes, mas acho que tudo pode ser aproveitado como forma de crescer e mudar. Enfim… Vamos aos texto!

Estágios de luto

É uma sensação muito estranha, às vezes você para tudo e fica imaginando o que está acontecendo na vida dos outros. Se ela sente a sua falta, se está com fome ou está se divertindo… Um cinema? Uma roda de Bar? Existe ainda aquela sensação que você está permanentemente atrelado a um outro, e por mais que a separação não doa mais o tempo todo ela ainda se faz presente na estática sensação de ausência que impera nos momentos de quietude.

As vezes a ausência fica ali, te encarando, como um cisne roxo no meio de uma piscina de concreto. Você tenta ignorá-la, se distrai um pouco, mas todo dia acaba encarando o cisne de novo. De certa forma é meio inominável, não parecem haver palavras para medir esta sensação de perda insólita. Não, não é um cisne roxo é uma mosca que está presa em um cômodo de vidro enquanto você está tentando seguir. Seu computador, seus pensamentos, tudo é distraído pelo zumbido da mosca que tenta fugir, mas invariavelmente falha.

Você percebe que não se sente pronto para voltar ainda ao “normal”, tudo que é seu parece ter uma memória atrelada a perda, o porta retrato na sua mesa de trabalho ainda contém as suas feições, os comentários nas redes sociais ainda estão lá e você percebe o quanto ainda não está pronto. Isso é uma bobagem, ninguém nunca está pronto para esse tipo de coisa, não existe fórmula mágica e todos ficam feito cegos tentando se encontrar nesta situação.

Você pensa que falar com ela seria como voltar para casa, mas teme que fazer isso seria queimar o caminho. Você crê que o tempo cura todas as feridas, mas não tem tempo para continuar se sentindo sozinho.  Você mergulha em trabalho e em diversão, passando todos os dias ocupado para que a sensação de tristeza não o tome mais, você respira e sente o peso do mundo por uma coisa que é composta de ausência.

É inevitável e cíclico, a garganta seca e fecha e você se lembra. Você para tudo e fica imaginando: como estão as coisas na vida dela? Um cisne roxo, uma mosca aflita, uma prisão de ar.

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~ por Olethros em 28/11/2013.

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