Sobre uma possível história Romana

Recentemente eu desencavei uma história situada em Roma que há muito havia imaginado. Ela tem circundado a minha cabeça nesses últimos dias e não quer sair de jeito nenhum. O grande problema é que acredito que a única forma de fazer juz a ela seria através de um romance (ou uma grande graphic novel), algo que não cabe em minha vida agora. Na verdade boa parte dos meus projetos literários já em andamento não cabem na minha vida. Mas eis um resumo do que existe de novo na idéia:

A história seria um conto bastante vinculado ao clima literário de Sêneca (e de boa parte da antiguidade em geral), uma drama em três atos sobre vingança. Um legionário romano que é forçado a deixar sua mulher equanto serve ao exército. Graças a uma série de infortúnios algumas escolhas ruins e ímpias da parte do soldado acabam fazendo com que ele crie inimigos poderosos para si (um grupo disperso e confuso de homens em vários lugares que o odeiam). Ao voltar para casa, ele descobre que sua mulher foi violada e morta, e vai até a necrópolis da cidade buscar seus restos mortais. Ele fica obcecado pela idéia de vingança e é incapaz de aceitar a morte da esposa (jurando buscar alguma feitiçaria que o ajude a traze-la de volta), nem que como Orpheus ele deva descer ao inferno para acha-la. O soldado passa a carregar então os restos de sua esposa em uma bolsa de couro. Ele é convocado novamente, e vai para a guerra. Com boa parte do seu exército destruído mas vitorioso, uma nova província e uma nova cidade é fundada para Roma. Como é de costume dos Romanos, toda cidade nova possui um Mundus no centro da mesma, um buraco profundo onde os fundadores colocam seus principais símbolos do que uma boa cidade deve ter. O Mundus é uma ligação direta com o Hades, e depois de colocarem coisas como sementes e oferendas no mesmo, ele é selado. Uma vez por ano no entanto, o Mundus é re-aberto e é dito que durante este dia inteiro o mundo acima e o mundo abaixo passam a ser um só. É um dia de respeito aos ancentrais e de piedade, mas para o soldado é o dia de rencontrar sua amada, cujo os restos mortais estavam depositados sob o Mundus. Ela aparece, e por um dia eles possuem o dia perfeito. No entanto, ao fim do mesmo, depois dela dizer o que se lembra de sua morte, ele jura vingança aos assassinos e promete voltar em exatamente um ano com a honra de sua mulher restaurada. A partir daí ele foge do exército e vai para capital buscando um acerto de contas. A idéia é colocar muitas refrências religiosas e ao mesmo tempo brutalidade, vingança e sangue. Acho que dá uma história bem legal, mas é preciso tomar cuidado para que a coisa não vire um clichê de filme de ação. É importante o tempo todo manter a idéia da sacralidade do conceito de vingança e a forma como os deuses se posicionam diante de tais atos. Assim como os Lares do soldado, que o vêem fazer amor com uma esposa-morta. A idéia é balancear os lados em um jogo de impiedade, onde vencerá aquele que menos ofender Júpiter em seu caminho.

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~ por Olethros em 05/03/2009.

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