Máquina de escrever
O homem passava dias diante do computador. A coluna já estava torta pelo mal sentar. As mãos calejadas pelo apoio da mesa. Ele prendia os olhos e os sonhos na vã tentativa de que um texto lhe saltasse do plano das idéias, e se fizesse poesia no som das teclas gastas.
Havia teias de aranhas por suas pernas, e a cadeira estava enferrujada. Ele não se mexia, exceto as mãos, veículos de lírica obsessão. A poeira se aglutinava sob seu corpo, trazendo uma sutil percepção de tempo. Mas não existe tempo para esgotar uma boa idéia, que espera até seu próprio momento para nascer. Não é desse mundo o seu calendário. Não possui relação com os astros, ainda que uma idéia seja tão somente signos.
Um dia haverá um lampejo, e o plano platônico se abrirá por alguns segundos. Haverá angústia, sofrimento, dor, graça, felicidade e verdade. Pois toda boa história se faz verdade. Enquanto isso, o homem espera curvado sob sua cadeira. O bater de teclas é a única vida que lhe resta, um ritmo funesto de esperança medíocre.

Calo de mouse!!
Ah, eu gosto das idéias que aparecem de madrugada e, de tão fortes, me fazem levantar para anotá-las.
Abraço!
Rômulo said this on 10/05/2009 às 20:08