Queria ser um déspota mais lírico,
lembrar sempre que não existem poesias que não sejam destiladas em mentira,
repousadas em barris velhos e brancos como a têmporas dos sábios,
e engarrafadas com um pouquinho de beleza,
presente nesse nascer do sol.

Queria ser um déspota mais lírico,
lembrar sempre que não existem poesias que não sejam destiladas em mentira,
repousadas em barris velhos e brancos como a têmporas dos sábios,
e engarrafadas com um pouquinho de beleza,
presente nesse nascer do sol.
São quatro e quarenta da madrugada… Mais um texto pronto, e seguindo para o meu terceiro. Devo acabar lá para as sete horas. No começo do ano não era assim, mas sinto que todo dia acabo indo dormir um pouco mais tarde do que no dia anterior, ciclo que só é reforçado pelo meu horário quase fixo de acordar que me permite, as vezes nos dias bons dormir seis horas. Queria ter a disciplina para fazer essas coisas em outro horário, quer dizer, há poucos meses atrás me comprometi com essa ideia, e descobri que mesmo dormindo cedo, sou quase completamente improdutivo enquanto o sol ainda anda pelo céu. Mesmo quando estou virado e destruído e chegada da madrugada me dá um fôlego completo que não consigo experienciar durante o dia.
Aos poucos acho que eu mesmo e as pessoas a minha volta já entenderam que eu funciono em um relógio um pouco diferente.
Fato que ainda preciso aprender a lidar melhor com o tempo, as vezes acho que só funciono com pautas para o dia seguinte me pressionando.
Um dos meus trabalhos mais frequentes é o ghostwriting. Devo dizer que os meus trabalhos nessa área, junto com o Ambrosia, foram os principais meios que me levaram a trabalhar de maneira mais séria como redator. Atualmente, um dos trabalhos regulares que eu faço é escrever um blog (que não posso dizer qual é por motivos óbvios) de uma bem sucedida empresária de quarenta anos. O personagem todo é um pouco ridículo e over the top, mas em geral, é uma das coisas mais engraçadas do meu dia e é onde solto aquele lado “perua ryca” que todo mundo tem.
E se tem uma coisa interessante sobre este papel, é o fato de ser uma mulher. Ainda que eu não seja o Chico Buarque, sempre acreditei que tinha uma boa relação de conhecimento do universo feminino, não só através de mães, irmã e namoradas, mas porque sempre tive amigas muito próximas desde a minha formação.
No entanto, percebo um problema nos meus textos do blog: primeiro eu sou uma mulher que o Felipe odiaria, sabe como é, né? Não sou tão tolerante com peruas rycas. Segundo problema: eu escrevo de forma fútil quando sou ela, e apesar disso fazer parte do personagem, tenho medo de estar de alguma forma contribuindo para a formação deste estereótipo escroto de que as mulheres com dinheiro são inevitavelmente fúteis. Acho que preciso de uma personagem mais equilibrada que não vá mencionar a sua coleção de laptops a cada dez posts para me sentir melhor, ou pelo menos me sentir mais mulher e menos caricatura enquanto escrevo.
Então o recado está dado: você, mulher interessante, que tem um blog bacana mas está com preguiça de mantê-lo e tem disposição para pagar (de preferência bem) um redator para isso, me contate! Mas lembre-se de pedir posts um pouco mais interessantes.
Já fazem anos que nada aparece por aqui… Nesse ínterim passei a viver como redator, e escrever se tornou oficialmente meu ganha pão. Infelizmente, 70% das vezes tenho que escrever de forma comercial, pouco criativa e até massante. Comecei a temer pela minha capacidade de escrever para mim mesmo, o que sempre foi uma boa terapia. Desta maneira vou tentar (prometo) voltar a escrever por aqui. Acredito que é um ritual importante que nunca deveria ter abandonado.
Então, finalmente voltando a aparecer por aqui. Primeiramente estou com uma deadline auto-imposta para terminar o roteiro da hq reflexo até semana que vem.
Espero que a coisa funcione, e tentarei trabalhar nisso até que eu morra de exaustão.
E com terminar eu quero dizer a primeira versão do roteiro completo, que pode ser editado e modificado. O bom de trabalhar em reflexo é o fato de que ele tem um direcionamento relativamente conciso, um conto que serve de fonte, e de certa forma eu já estabeleci o que acontecerá em cada página. O que resta mesmo para terminar são os enquadramentos e os diálogos (já que eu não desenho). O material é muito diferente do conto original, acredito que seja bem melhor, ainda que o final ainda não seja exatamente o que eu quero (estou pensando em escrever mais de um de pedir opiniões, sempre é bom ouvir algo externo a mim).
Quero colocar também os outros projetos de hq em dia, e pelos menos esboçar completamente as duas histórias (pelo menos uma delas já tem isso mais ou menos pronto, aquela que eu postei uma cena por aqui).
Outras coisas que tenho que fazer:
Meu mundo é a Metafísca. É tudo que me interesso.
Para o inferno com o materialismo dialético. Para o inferno com a historiografia tradicional. Para o inferno com Hegel e sua linhagem.
Meu mundo é metafísica e eu não sei o que fazer a respeito disso.
Daqui a quinze dias esse blog vai voltar a funcionar normalmente.
No momento, estou escrevendo sobre as referências a Orfeu fora do campo religioso. Depois do clássico de Virgílio, que tal uma versão mais contempôranea, como aquela da excelente banda gótica The Cruxshadows:
Eurydice
A focused voice reigns down, like a firestorm!
You know what you must do.
Venture down into the underworld,
To prove that love is true.Eurydice, don’t follow me! (Don’t follow me…)
The world has grown so cold!
Eurydice, don’t follow me! (Don’t follow me…)
My love I’m losing hold…If my voice won’t move the Ferrymen,
On my affections alone I’ll cross.
Then stare into the eyes of, Death Eternal,
No matter what the cost.Eurydice, don’t follow me! (Don’t follow me…)
The world has grown so cold!
Eurydice, don’t follow me! (Don’t follow me…)
My love I’m losing hold…Sacrifices and the light,
That leads me here, through this night.
As vision breaks, the world grows dim.
Persephone, argue my case to him!
I’ll take his word. No looking back!
The bridge we cross; I will not look.
And her footsteps I do not hear.
Is she far behind me, or standing near?Eurydice, don’t follow me! (Don’t follow me…)
The world has grown so cold!
Eurydice, don’t follow me! (Don’t follow me…)
My love I’m losing hold…Eurydice, don’t follow me! (Don’t follow me…)
Now, that my dreams turn black!
Eurydice, don’t follow me! (Don’t follow me…)
There’ll be no looking back…
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